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Body composition

Gordura Corporal Muito Baixa em Atletas: Impactos Hormonais e no Desempenho

Reduzir a gordura corporal a níveis essenciais altera a sinalização endócrina, suprime a taxa metabólica de repouso e reduz a força e a potência máximas. Essas perturbações sistêmicas decorrem da baixa disponibilidade energética severa e da deficiência energética relativa no esporte. Intervenções nutricionais estratégicas e refeeds controlados atenuam o catabolismo tecidual e facilitam a recuperação fisiológica.

Última atualização: 2026-09-12

Atingir níveis de gordura corporal muito baixos ou essenciais — tipicamente em torno de 4–6% para homens e 10–13% para mulheres — é comum em esportes estéticos, de combate e dependentes da gravidade [4]. Embora uma menor massa gorda não essencial possa otimizar a relação potência-peso, a eficiência cardiorrespiratória e a mecânica articular [12, 14], a restrição energética extrema ou prolongada induz um estresse fisiológico substancial. A magreza extrema impulsionada pela baixa disponibilidade de energia (LEA) desencadeia alterações profundas na sinalização endócrina, na regulação da taxa metabólica e no desempenho neuromuscular [4, 19].

Disponibilidade Energética e a Etiologia da RED-S

A disponibilidade energética (DE) reflete a energia residual da dieta disponível para os processos fisiológicos básicos após a remoção do custo energético do exercício, calculada como:

DE=Ingestão Energética (kcal)−Gasto Energético do Exercício (kcal)Massa Livre de Gordura (kg)

O funcionamento fisiológico ideal em adultos saudáveis exige uma DE de aproximadamente 45 kcal/kg MLG/dia [19]. Quando a ingestão é suprimida para atingir magreza extrema, os atletas frequentemente caem abaixo dos limiares clínicos de LEA, definidos como <30 kcal/kg MLG/dia para mulheres e <25 kcal/kg MLG/dia para homens [19]. Em atletas universitários, estar significativamente abaixo do peso corporal ideal atua como um forte preditor de risco elevado para a Deficiência Energética Relativa no Esporte (RED-S), mesmo após o ajuste para o percentual de gordura corporal [24].

Sob LEA crônica, o organismo desvia energia da reprodução, crescimento, termorregulação e turnover tecidual para preservar processos celulares vitais [19, 23]. Em esportes de combate com categorias de peso, a perda rápida de peso (RWL) e cortes calóricos crônicos reduzem a DE drasticamente; por exemplo, um camp de combate de 5 semanas demonstrou reduções na DE de 42 kcal/kg MLG/dia para 22 kcal/kg MLG/dia durante a semana da luta, induzindo sobrecarga metabólica e endócrina sistêmica [16, 17].

Perturbações Endócrinas em Percentuais Muito Baixos de Gordura Corporal

A restrição energética severa e a depleção das reservas adiposas perturbam múltiplos eixos hormonais [4, 23]:

  • Eixo Hipotálamo-Hipófise-Gonadal (HHG): A redução na pulsatilidade do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) atenua a liberação do hormônio luteinizante (LH) e do hormônio folículo-estimulante (FSH) [23]. Em homens, a preparação para competições leva a quedas significativas na testosterona total e livre, juntamente com aumentos na globulina carreadora de hormônios sexuais (SHBG) [3]. Em um relato de caso de um fisiculturista natural masculino atingindo nível de definição de palco, a testosterona total caiu para níveis clinicamente baixos de 7,2–9,1 nmol/L [1]. Em mulheres, a supressão do eixo HHG manifesta-se como amenorreia hipotalâmica funcional (AHF) e anovulação [19, 23].
  • Função Tireoidiana e Termorregulação: A tri-iodotironina ativa (T3 livre) e o T4 livre caem significativamente [4, 5]. Foi documentada a queda do T3 livre a níveis clinicamente suprimidos (2,7 pmol/L) no pico de magreza, correlacionando-se diretamente com reduções na temperatura oral central (r = 0,674) e na frequência cardíaca de repouso (r = 0,560) [1].
  • Eixo Somatotrópico e Anabólico: O fator de crescimento semelhante à insulina 1 (IGF-1) circulante, sua proteína de ligação IGFBP-3 e a insulina de repouso diminuem acentuadamente durante a restrição calórica profunda, com reduções no IGF-1 acompanhando de perto o catabolismo da massa livre de gordura (MLG) [3].
  • Peptídeos de Estresse e Saciedade: A magreza extrema eleva o cortisol e a grelina sistêmicos enquanto suprime a leptina devido à depleção adiposa, exacerbando distúrbios de humor, fadiga e desinibição do apetite [3, 4, 23].

Adaptações Metabólicas e Gasto Energético

Quando atletas atingem baixos percentuais de gordura corporal, o gasto energético de repouso (GER) diminui além do previsto apenas pela redução da massa corporal — um fenômeno conhecido como termogênese adaptativa [1, 4].

Em preparações de fisiculturismo natural, o GER medido pode declinar mais de 500 kcal/dia (razão de GER ~0,78), juntamente com uma alteração na taxa de troca respiratória de 0,95 para 0,85 [1]. De forma similar, cortes de peso simulados em camp de treinamento em atletas femininas de combate induziram uma redução de 253 kcal/dia na taxa metabólica de repouso (TMR), concomitantemente com sinais de sobrecarga renal e hipoglicemia [16, 22]. Em coortes da tríade da mulher atleta, mais de 53% das participantes que apresentam LEA demonstram TMR suprimida [22].

Desfechos no Desempenho Neuromuscular e Aeróbio

Reduzir o excesso de tecido adiposo não essencial proporciona vantagens mecânicas distintas em tarefas atléticas de endurance, sprint e sustentação do peso corporal, melhorando a relação potência-peso e minimizando a resistência física à articulação articular [12, 14, 15]. Por exemplo, atletas de elite de CrossFit com menores percentuais de gordura corporal demonstram maior VO2max relativo e potência anaeróbia superior no teste de Wingate em comparação com atletas de esqui alpino com maior adiposidade [11].

No entanto, quando a gordura corporal é reduzida a limiares essenciais sob restrição calórica severa, o desempenho neuromuscular é prejudicado [1, 16]:

  • Reduções de Força: A força absoluta nos principais levantamentos compostos (agachamento, supino, levantamento terra) declina durante a preparação para competições [1, 3].
  • Perdas na Produção de Potência: Atletas de esportes de combate que praticam ciclos de perda de peso podem sofrer uma queda de até 27% na produção de potência máxima no ciclismo quando estratégias de perda rápida de peso são combinadas com restrição crônica [16].
  • Fadiga Neuromuscular: Depleção de glicogênio, supressão da síntese proteica muscular e pontuações elevadas de fadiga limitam a produção de força e a capacidade de trabalho sob déficits calóricos extremos [3, 16].

Refeed Nutricional e Recuperação Fisiológica

Atenuar a perda de tecido magro durante o emagrecimento e restaurar a homeostase fisiológica pós-déficit requer estratégias nutricionais direcionadas [4, 8].

Refeeds Intermitentes e Diet Breaks

Estruturar aumentos temporários na ingestão de carboidratos atenua o declínio metabólico e endócrino durante a perda de gordura [6, 8]:

  • Refeeds de Carboidratos de 2 Dias: A implementação de um refeed de carboidratos de 2 dias consecutivos durante um déficit calórico de 25% preservou significativamente a MLG (perda de 0,4 kg vs. perda de 1,3 kg na restrição contínua) e atenuou a supressão da TMR (-38 kcal vs. -78 kcal) sem comprometer a perda total de gordura [8].
  • Diet Breaks: Introduzir intervalos de 1 semana na dieta (diet breaks) em ingestão de manutenção durante um período de restrição de 8 semanas preservou o controle comportamental alimentar, prevenindo aumentos na desinibição avaliada pelo Three-Factor Eating Questionnaire em comparação com a restrição contínua [7].

Cronogramas de Recuperação Pós-Restrição

Restaurar perfis hormonais e metabólicos suprimidos exige um retorno sustentado ao equilíbrio ou superávit energético [4, 5]. O acompanhamento longitudinal de competidores naturais de physique revela que a massa gorda (+3,4 kg) e a massa livre de gordura (+2,7 kg) se recuperam rapidamente nas primeiras 6 semanas pós-competição [5].

Entre 12 e 23 semanas pós-competição, os hormônios tireoidianos (T3L, T4L), testosterona, cortisol, insulina e IGF-1 normalizam-se para as faixas de referência basais [3, 5]. Aumentos mais expressivos na ingestão energética pós-restrição aceleram a recuperação da taxa metabólica de repouso ajustada (+2,4 kcal⋅kgMLG−1⋅dia−1), ressaltando que reverter as consequências endócrinas e metabólicas da magreza extrema requer uma reabilitação calórica e nutricional adequada [5, 22].

Referências

Fontes da web

  1. a case report on indicators of low energy availability in a drug ...
  2. Case Study: Unfavorable But Transient Physiological ...
  3. Changes in hormonal profiles during competition preparation ...
  4. After the spotlight: are evidence-based recommendations for ...
  5. Post-competition recovery in natural physique athletes
  6. How to reverse diet after contest prep
  7. The Effects of Intermittent Diet Breaks during 25% Energy ...
  8. Intermittent Energy Restriction Attenuates the Loss of Fat ...
  9. (PDF) Effectiveness of Diet Refeeds and Diet Breaks as a ...
  10. Best practice recommendations for body composition considerations in ...
  11. Physical and Physiological Characteristics of Elite CrossFit ...
  12. Sport Performance and Body Composition - NSCA
  13. A Study of VO2 Max and Body Fat Percentage in Female ...
  14. Sport Performance and Body Composition
  15. Body composition in male lifelong trained strength, sprint ...
  16. Weight cycling and relative energy deficiency in sport ... - PMC
  17. Weight cycling and relative energy deficiency in sport ...
  18. Relative Energy Deficiency in Sport (REDs) - Oxford Academic
  19. Relative Energy Deficiency in Sport (RED-S) - PMC - NIH
  20. Relative Energy Deficiency In Sports (RED-S) recovery
  21. REDS (Relative Energy Deficiency in Sports) - diagnosis, consequences ...
  22. RED-S: Long-Term Consequences & Recovery - Featherstone Nutrition
  23. Understanding Red S: The Hidden Health Risk for Athletes and Active ...
  24. [PDF] ideal body weight and body fat percentage predict relative energy ...

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