Otimização da Velocidade Aeróbica Máxima e do Desempenho de Resistência em Vaivém
O treino intervalado de alta intensidade baseado em corrida proporciona melhorias superiores no desempenho de resistência em vaivém e no sprint linear em comparação com jogos reduzidos isolados. Os jogos reduzidos igualam o HIIT nas adaptações da capacidade aeróbica máxima, enquanto o treino de sprints repetidos desenvolve principalmente a aceleração e a capacidade de sprints repetidos.
Última atualização: 2026-09-03
Determinantes do Desempenho Aeróbico em Vaivém
Os atletas de modalidades de campo e de pavilhão dependem frequentemente de uma capacidade de resistência intermitente em vaivém, em vez de uma capacidade aeróbica linear contínua. Os testes em vaivém — tais como os Yo-Yo Intermittent Recovery Tests (Yo-Yo IR1 e IR2), o Teste de Aptidão Progressiva de 20 metros (20m MFT) e o 30–15 Intermittent Fitness Test (30–15 IFT) — avaliam não apenas o consumo máximo de oxigénio ($\dot{V}\text{O}_2\text{max}$) e a velocidade aeróbica máxima (VAM), mas também acelerações, desacelerações e a mecânica de mudança de direção (COD) de 180° repetidas [1, 8, 15].
O planeamento de intervenções de condicionamento eficazes requer a compreensão de como diferentes modalidades de treino visam a velocidade linear, a reserva de velocidade anaeróbica (ASR = velocidade máxima de sprint − VAM) e a capacidade de recuperação intermitente [18].
Treino Intervalado de Alta Intensidade Baseado em Corrida (HIIT)
O HIIT baseado em corrida permite uma calibração precisa das intensidades de treino externo com recurso a referências como a VAM, a velocidade no 30–15 IFT ($V_{\text{IFT}}$) ou a ASR [9, 18]. Os formatos comuns incluem:
- HIIT longo: 90–105% da VAM durante 1–6 minutos [18].
- HIIT curto: 100–130% da VAM durante 15–60 segundos [18].
- Sprint Interval Training (SIT): Séries supramáximas de 15–45 segundos com 2–4 minutos de recuperação passiva [18].
Em avaliações meta-analíticas de atletas adolescentes treinados (Nível McKay $\ge$2), as intervenções baseadas em HIIT produziram melhorias substanciais na $V_{\text{IFT}}$ (DMP = 1,13, IC 95% [0,63, 1,63]) e na resistência intermitente em vaivém no terreno (Yo-Yo IR1/IR2, multistage de 20m: DMP = 0,65, IC 95% [0,07, 1,23]), a par de aumentos significativos no $\dot{V}\text{O}_2\text{max}$ (DMP = 0,65) e na velocidade de COD (DMP = -0,54) [8]. Em atletas femininas de desportos coletivos, o HIIT realizado a 80–100% da FCmáx resultou em aumentos consistentes no $\dot{V}\text{O}_2\text{max}$ (TE 0,19 a 1,08), na velocidade de COD (TE 0,34 a 0,88) e na capacidade de sprints repetidos (RSA: TE 0,32 a 0,64) [5].
Uma meta-análise em rede que comparou modalidades de condicionamento em futebolistas demonstrou que o HIIT baseado em corrida obteve a melhor classificação para a melhoria do desempenho no Yo-Yo IR1 em vaivém (SUCRA = 86,2; DMP = 0,78, p = 0,001) e no $\dot{V}\text{O}_2\text{max}$ (SUCRA = 74,3; DMP = 0,53, p = 0,007) [7].
HIIT Baseado em Corrida vs. Jogos Reduzidos (SSGs)
Os jogos reduzidos integram cargas cardiovasculares elevadas com a execução técnica e tática, promovendo naturalmente acelerações e desacelerações repetidas [9, 10]. Em jovens atletas de desportos coletivos, o condicionamento com recurso a SSGs melhora significativamente a capacidade aeróbica máxima (DMP = 0,78), a resistência intermitente de alta intensidade (DMP = 1,05), a aceleração em sprint (DMP = -0,55) e a capacidade de COD (DMP = -0,85) [1]. Em jovens adultos não treinados, os SSGs baseados em andebol (mantendo a FC >85% da $\text{FC}_{\text{máx}}$) melhoraram o $\dot{V}\text{O}_2\text{max}$ em ~7 mL·kg⁻¹·min⁻¹ e aumentaram o desempenho no 20m MFT a um nível equivalente ao HIIT realizado em pista [10].
No entanto, quando comparados diretamente em ensaios controlados, o HIIT baseado em corrida demonstra vantagens específicas nos resultados de testes em vaivém de alta intensidade:
- Numa meta-análise de 17 ECRs envolvendo atletas masculinos adolescentes de modalidades coletivas, o HIIT demonstrou uma superioridade estatisticamente significativa em relação aos SSGs no desempenho do Yo-Yo IR1 (DMP = 0,42, IC 95% [0,09, 0,74], $I^2 = 0%$), enquanto as adaptações no $\dot{V}\text{O}2\text{max}$ (DMP = 0,05), na $V{\text{IFT}}$ (DMP = 0,24) e na COD (DMP = 0,00) permaneceram comparáveis entre modalidades [2].
- O HIIT baseado em corrida é significativamente superior aos SSGs nas adaptações do sprint linear (TE intergrupos = 0,42, p = 0,012), ao passo que nenhuma das modalidades induz melhorias consistentes no salto vertical sem um treino de força direcionado [3].
A combinação de intervalos baseados na VAM com o treino em SSGs é altamente eficaz: uma intervenção de 12 semanas demonstrou que tanto a VAM combinada com SSGs como a VAM isolada produziram ganhos significativos na distância percorrida no Yo-Yo IR1 e no $\dot{V}\text{O}_2\text{max}$ em comparação com o treino regular habitual (p = 0,001) [4]. Por outro lado, a implementação concorrente e não estruturada de HIIT e SSGs dentro dos mesmos microciclos pode comprometer o desempenho no sprint (sprint de 20 m DMP = 1,84, p = 0,002) caso o volume total e a fadiga não sejam geridos adequadamente [7].
HIIT Linear vs. HIIT com Mudança de Direção (COD)
Dado que os testes de resistência em vaivém exigem viragens de 180°, a incorporação de mudanças de direção na prescrição de HIIT é frequentemente explorada [13, 15]. A introdução de viragens de 180° aumenta o custo metabólico e mecânico da corrida; os ajustes habituais na programação reduzem tipicamente a distância de corrida do intervalo em 2–3% por cada mudança de direção (por exemplo, uma redução total de ~7% na distância para três viragens de 180°) de modo a manter as intensidades prescritas equivalentes [15].
Em futebolistas femininas de elite, a comparação entre intervalos em linha reta (HIIT LIN) e intervalos com três viragens de 180° (HIIT COD) demonstrou que ambas as modalidades produziram melhorias significativas e equivalentes na velocidade de sprint em 10 m–30 m, agilidade (Pro-agility, Zig-zag), RSA, $\dot{V}\text{O}2\text{max}$ e $V{\text{IFT}}$, sem que o HIIT COD oferecesse qualquer adaptação superior relativamente à corrida linear [13]. No entanto, uma maior densidade de COD por série de intervalo (por exemplo, três viragens vs. uma viragem) demonstrou anteriormente maiores adaptações aeróbicas e de sprints repetidos em atletas de pavilhão [13]. Em microciclos agudos, os microciclos de choque de HIIT de alta densidade podem acelerar as melhorias no 30–15 IFT, embora não melhorem a economia de corrida [17].
Treino de Sprints Repetidos (RST)
O treino de sprints repetidos (RST; durações de sprint <10 s, recuperação <60 s a 85–100% da velocidade máxima de sprint) visa a potência neuromuscular, a aceleração e a ressíntese de fosfocreatina [11, 18]. A evidência meta-analítica indica que o RST melhora eficazmente a aceleração e velocidade lineares (sprint de 10 m TE = 1,01; sprint de 20 m TE = 0,80), a velocidade de COD (TE = 0,60) e o melhor tempo de sprint repetido (TE = 0,48) em jovens atletas [11]. O RST melhora também significativamente a capacidade global de sprints repetidos em adolescentes treinados (DMP = -0,70) [8].
Contudo, o RST isolado é insuficiente para maximizar a velocidade aeróbica ou a resistência em vaivém: não consegue induzir ganhos estatisticamente significativos na capacidade aeróbica máxima em comparação com o treino de controlo [11].
Restrição de Fluxo Sanguíneo (BFR) Combinada com Treino Intervalado
A combinação de treino intervalado com restrição de fluxo sanguíneo (IT+BFR) pode atuar como um intensificador para a velocidade aeróbica máxima e a potência aeróbica [19]. Uma meta-análise de 24 estudos demonstrou que o IT+BFR produz maiores melhorias na VAM (g = 0,74, $I^2 = 0%$) e no $\dot{V}\text{O}_2\text{max}$ (g = 0,63) em comparação com o treino intervalado isolado, a par de melhorias no tempo até à exaustão (g = 1,26) e na potência média no teste de Wingate de 30 s (g = 0,70) [19]. A meta-regressão indica que estas adaptações dependem das dimensões da manga de oclusão, sendo necessário um limiar mínimo de largura de 8,23 cm para alcançar melhorias significativas [19].
Resumo da Eficácia Comparativa
- Yo-Yo IR e Resistência Intermitente em Vaivém: O HIIT estruturado baseado em corrida proporciona as maiores magnitudes de efeito relativo e supera consistentemente os SSGs isolados (vantagem de DMP = 0,42 para o Yo-Yo IR1) [2, 7, 8].
- Potência Aeróbica ($\dot{V}\text{O}_2\text{max}$ e VAM): Tanto o HIIT baseado em corrida como os SSGs produzem grandes melhorias, com o HIIT baseado em corrida a oferecer um controlo de intensidade preciso em torno de 100–130% da VAM [2, 9, 18]. O IT+BFR serve como um complemento eficaz para potenciar ainda mais a VAM (g = 0,74) [19].
- Transferência para Sprint e COD: O HIIT baseado em corrida e o RST visam eficazmente a velocidade linear e a aceleração [3, 8, 11]. A inclusão de viragens com COD nos intervalos de HIIT é viável quando a distância é ajustada (redução de ~2–3% por viragem de 180°), embora o HIIT linear proporcione uma transferência comparável entre marcadores de aptidão física de campo [13, 15].
Referências
Artigos revistos por pares
- Han Xu, Tao Li, Weihuan Xing, Jiakang Zhu, Zirui Zhang, Zezhao Chen (2026). Comparative effectiveness of training interventions on VO2max in male soccer players: a systematic review and network meta-analysis.. BMC Sports Science, Medicine and Rehabilitation. doi:10.1186/s13102-026-01820-8 0 citações
- Fengming Zhang, Yang Liu, Jiale Liu, O. Yeremenko, Lei Shi (2026). Comparative effects of high-intensity interval training and small-sided games on physical fitness in male adolescent team-sport athletes: a systematic review and meta-analysis. BMC Sports Science, Medicine and Rehabilitation. doi:10.1186/s13102-026-01729-2 0 citações
- N. Trotta, Italo Sannicandro, Johnny Padulo (2025). Effectiveness of small-sided games vs high-intensity interval training on physical fitness in female soccer players: a systematic review and meta-analysis.. British Medical Bulletin. doi:10.1093/bmb/ldaf023 1 citações
- Yang Liu, Fengming Zhang, Shanshan Kong, Mykola Bezmylov, Ertao Yan (2026). Effects of small-sided games training on physical performance in youth team-sport athletes: a systematic review and meta-analysis. Frontiers in Physiology. doi:10.3389/fphys.2026.1803471 1 citações
Fontes da web
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